A vitamina D está diretamente relacionada ao metabolismo de cálcio e fósforo e participa de mecanismos importantes para a homeostase do organismo. Em cães e gatos, porém, existe uma particularidade fundamental: a síntese cutânea de vitamina D é limitada, fazendo com que a dieta seja a principal fonte desse nutriente.
Isso torna a avaliação laboratorial especialmente relevante em determinadas situações clínicas.
Mas quando a dosagem de vitamina D realmente deve ser solicitada? Qual exame deve ser utilizado? E por que o PTH pode ser importante para interpretar esse resultado?
Neste conteúdo, vamos entender como funciona o metabolismo da vitamina D em cães e gatos e quais informações o 25(OH)D pode oferecer na investigação clínica.
Por que a vitamina D é importante para cães e gatos?
Apesar de ser frequentemente associada apenas à saúde óssea, a vitamina D participa de processos muito mais amplos. Ela está envolvida principalmente na regulação da homeostase do cálcio e do fósforo, além de apresentar relação com mecanismos imunológicos e inflamatórios.
O metabolismo da vitamina D ocorre em diferentes etapas e envolve principalmente fígado e rins. De forma simplificada:
Vitamina D → 25(OH)D → 1,25(OH)₂D
A primeira etapa produz a 25-hidroxivitamina D [25(OH)D], também conhecida como calcidiol. É essa forma que deve ser utilizada para avaliar o status de vitamina D do paciente. Já a segunda etapa produz a 1,25-dihidroxivitamina D [1,25(OH)₂D], ou calcitriol, que corresponde à forma biologicamente ativa.
Mas qual é a diferença entre elas?
| Marcador | Nome | Principal aplicação |
| 25(OH)D | Calcidiol | Avaliação do status de vitamina D |
| 1,25(OH)₂D | Calcitriol | Avaliação da forma biologicamente ativa e de mecanismos regulatórios específicos |
Ponto importante: para avaliar as reservas ou o status de vitamina D, o exame de escolha é o 25(OH)D, e não o calcitriol.
Por que cães e gatos dependem da dieta para obter vitamina D?
Em humanos, a exposição à radiação ultravioleta participa da síntese cutânea de vitamina D. Em cães e gatos, essa produção é limitada e não representa uma fonte fisiologicamente relevante de vitamina D. Dessa forma, a alimentação assume papel fundamental no fornecimento desse nutriente.
A vitamina D presente na dieta pode estar principalmente nas formas:
- Vitamina D₂ (ergocalciferol)
- Vitamina D₃ (colecalciferol)
A vitamina D₃ é a forma predominante na dieta de cães e gatos. Na dosagem de vitamina D realizada pela Hormonalle, os valores de vitamina D₂ e D₃ não são apresentados separadamente. O resultado corresponde à concentração total, considerando a soma das duas formas.
Após a absorção intestinal, essas formas passam por etapas de metabolização até a formação do 25(OH)D e, posteriormente, do calcitriol. Isso significa que alterações na ingestão, absorção ou metabolismo podem influenciar o status de vitamina D do paciente.
Quando considerar a dosagem de 25(OH)D?
A dosagem não precisa ser solicitada de forma indiscriminada para todos os pacientes. Ela pode ser considerada quando existe uma pergunta clínica específica relacionada ao metabolismo da vitamina D ou quando determinadas condições podem interferir nesse equilíbrio.
Situações em que a avaliação pode ser relevante
Mudança de dieta: especialmente quando há alterações importantes na alimentação ou utilização de dietas que precisam de avaliação nutricional individualizada.
Doença renal crônica: o metabolismo da vitamina D está diretamente relacionado ao eixo cálcio, fósforo e PTH, que sofre alterações durante a progressão da doença renal.
Doenças gastrointestinais: alterações na absorção intestinal podem interferir na disponibilidade de nutrientes.
Doenças inflamatórias: concentrações reduzidas de 25(OH)D já foram descritas em diferentes condições inflamatórias.
Neoplasias: alterações nas concentrações de vitamina D também foram investigadas em pacientes com diferentes doenças neoplásicas.
Dermatite atópica: a relação entre vitamina D e mecanismos imunológicos também vem sendo estudada em pacientes com doenças dermatológicas.
Uso prolongado de glicocorticoides: o histórico medicamentoso deve ser considerado na avaliação de pacientes com alterações do metabolismo ósseo e mineral.
25(OH)D baixo: o que esse resultado significa?
A concentração encontrada precisa ser relacionada ao histórico do paciente, alimentação, doenças concomitantes, medicamentos e outros marcadores relacionados ao metabolismo mineral.
É nesse contexto que o PTH 1-84 pode acrescentar informações importantes. O PTH participa da regulação do cálcio e do fósforo e responde às alterações desse equilíbrio. Por isso, a avaliação conjunta pode oferecer uma visão mais completa do paciente.
Uma avaliação integrada pode incluir:
| Exame | O que avalia |
| 25(OH)D | Status de vitamina D |
| PTH 1-84 | Resposta da paratireoide |
| Cálcio ionizado | Fração biologicamente ativa do cálcio |
| Fósforo | Equilíbrio mineral |
Quanto mais completa a avaliação, maior a capacidade de relacionar o resultado laboratorial à pergunta clínica.
Vitamina D e doença renal: por que essa relação merece atenção?
Em pacientes com doença renal crônica, o metabolismo mineral sofre alterações progressivas. Os rins participam da conversão da vitamina D para sua forma biologicamente ativa e também estão diretamente envolvidos na regulação do fósforo.
Com a progressão da doença renal, alterações no eixo:
Vitamina D ↔ PTH ↔ Cálcio ↔ Fósforo
Podem contribuir para o desenvolvimento de distúrbios mineral e ósseo associados à doença renal crônica. Por isso, nesses pacientes, avaliar a vitamina D isoladamente pode não ser suficiente.
Na rotina clínica, vale considerar:
✦ Estágio da doença renal
✦ Concentração de fósforo
✦ Cálcio, especialmente cálcio ionizado quando indicado
✦ PTH
✦ 25(OH)D
✦ Histórico nutricional
✦ Medicamentos em uso
Essa avaliação integrada ajuda a contextualizar o resultado e direcionar a investigação.
O papel do laboratório na investigação
A avaliação do metabolismo da vitamina D exige não apenas a escolha adequada do analito, mas também uma metodologia confiável e uma interpretação relacionada à pergunta clínica.
Na Hormonalle, estão disponíveis as dosagens de Vitamina D 25OH (calcidiol) e PTH 1-84, permitindo ao médico-veterinário ampliar a investigação do metabolismo mineral de seus pacientes.
A integração entre diferentes marcadores pode contribuir para uma avaliação mais completa e para uma tomada de decisão clínica mais segura.
Referências bibliográficas
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dog due to inadequate cutaneous synthesis of vitamin D. General and Comparative Endocrinology, 1994.
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FAQ
Qual exame devo solicitar para avaliar a vitamina D em cães e gatos?
O 25(OH)D, também chamado de calcidiol, é o principal marcador utilizado para avaliar o status de vitamina D. O calcitriol possui função diferente e não substitui o 25(OH)D nessa avaliação.
Vitamina D baixa significa que o paciente precisa ser suplementado?
Não necessariamente. O resultado deve ser interpretado considerando a condição clínica, alimentação, doenças concomitantes, medicamentos e outros marcadores do metabolismo mineral. A necessidade de suplementação deve ser avaliada individualmente.
Por que avaliar PTH junto com a vitamina D?
O PTH participa da regulação do metabolismo do cálcio e do fósforo. Sua avaliação pode complementar a interpretação do 25(OH)D, especialmente em pacientes com alterações do metabolismo mineral ou doença renal.
